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7 de setembro de 2013

Que filhos deixaremos para o Brasil?

Vivemos no país do futebol, do Carnaval, dos políticos corruptos (infelizmente) e, cada vez mais, do egocentrismo. Não é à toa que escolhi esse tema. Hoje, dia em que comemoramos a Independência do Brasil, me questiono sobre que seres humanos estamos ajudando a formar e que ocuparão todos os espaços do nosso país.

Temos o hábito de reclamar dos acontecimentos, de dizer que o país não tem jeito, que quem está no poder não presta e que todas as pessoas são passíveis de serem corrompidas pelo dinheiro, mas esquecemos que o adulto de hoje foi uma criança em algum momento de sua trajetória.

Em que momento a criança inocente se torna um adulto inescrupuloso? Que curva errada essa criança pegou e se transformou em um adulto egoísta e egocêntrico?

Pois eu diria que, desde que nasceu e aprendeu a solicitar algum tipo de atenção, seja para mamar, ser tirado do berço ou ter o olhar do cuidador, a criança está se transformando no adulto que será futuramente — e quem é mãe sabe que o "futuramente" chega num piscar de olhos!

Desde bebê, quando aquele pequeno ser é atendido em absolutamente todas as suas necessidades, sem que lhes permitam um espaço para desejar algo; ou quando, um pouco mais crescido, se recusa a emprestar sua boneca para uma amiguinha e tem sua atitude respaldada por um "é o jeito dela! Muito apegada aos seus brinquedos!"; ou quando mente a idade no cinema, respondendo à solicitação dos pais, para pagar meia entrada; ou fura a fila na cantina na escola e conta a todos, concluindo que passou na frente dos "babacas"; ou quando percebe que recebeu um troco errado e não devolve; enfim... são pequenos recortes do cotidiano que passam pelo olhar permissivo de pais cansados e culpados. E são esses pequenos fatos que influenciam na formação do caráter.

Penso que um jovem que hoje paga para uma quadrilha auxiliá-lo a passar no vestibular de forma fraudulenta não começou a errar nesse exato momento. Ou um que é capaz de colocar fogo em um mendigo. Ou um que bebe e sai dirigindo em alta velocidade. Ou um homem que desvia milhões dos cofres públicos para sua própria conta bancária. Todos esses casos que ouvimos exaustivamente nos noticiários não tiveram origem em uma terça-feira despretensiosa, às três da tarde. Isso tudo se originou em anos e anos de pequenos detalhes do dia a dia, onde adulto algum sinalizou o erro e o fez ser consertado.

Passamos do autoritarismo descabido para a licenciosidade, e nessa transição muitos valores se perderam. É hora de resgatar a solidariedade, a honestidade, a generosidade da vivência em sociedade. Perceber que o seus atos influenciam direta ou indiretamente a vida de muitas pessoas, começa lá na obrigação de fazer a tarefa de casa diariamente, de jogar o lixo na lixeira, de não furar a fila, de organizar a sua bagunça, de devolver o troco dado a mais, de dividir os brinquedos.

Eduquemos nossos filhos e estaremos contribuindo muito para a transformação desse país!

Lisandra Pioner

Fonte: Zero Hora