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15 de setembro de 2013

O papel dos avós na educação dos netos



Visitar a casa dos avós, geralmente, é sinônimo de diversão para os netos. Afinal, é lá que eles podem comer o que quiserem, brincar e ouvir muitas histórias. Mas não é apenas nas brincadeiras e na fuga da rotina que o papel dos avós é desempenhado. Eles são importantes para a educação informal das crianças.

De acordo com o estudo A colaboração dos avós na educação dos netos, publicado na revista Interfaces Científicas, em 2012, 70% dos professores de educação básica acreditam que as crianças que têm os avós próximos são mais calmas, mais organizadas, assíduas e têm menos problemas de saúde. Participaram da pesquisa 120 crianças, do 1º ciclo do ensino básico, oito professores e 200 avós e pais.

Para o coordenador do Grupo Acadêmico Pedagógico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – Fespsp, Ivan Russeff, a educação transmitida pelos avós está cada vez mais intensa por conta da rotina atribulada dos pais. “Há uma preocupação dos pais em não deixar filhos muito novos na escola e isso faz com que os avós entrem na educação diretamente”, observa. Para ele, essa relação não é negativa. “Pelo contrário. Nós prezamos tanto a participação da família na educação, que o papel dos avós se torna muito positivo”, diz.

Ana Mateus Silva, psicóloga e autora da pesquisa A colaboração dos avós na educação dos netos, acredita que o papel dos avós assemelha-se ao dos pais, porque tanto oferecem afeto e carinho como repreendem quando necessário. No estudo, ela afirma que “os avós valorizam muito a escola, a educação e, quando sentem que não conseguem ajudar os netos nos trabalhos da escola, definem estratégias para encontrar uma solução”.

Um ponto que merece destaque na relação entre avô e neto é a questão histórica. “O avô do século 21 frequentou uma escola ruim, de pura reprodução. Passar aos netos essa experiência servirá de apoio tanto para o neto quanto para ele mesmo, que terá de rever seus conceitos sobre o mundo em um período em que a educação formal passa por tantas reformas. Isso é um exemplo da educação cooperativa do educador e filósofo Paulo Freire”, avalia Russeff.

O diretor acadêmico destaca a oralidade como a maior contribuição do avô para a educação do neto. “A maior contribuição para o processo educacional está no momento em que o neto ouve as histórias de seus avós. É isso que forma quem somos, que constrói a nossa história e que nos deixa ligados ao nosso passado. Não há futuro sem passado”, afirma.

Para ele, a conversa traz benefícios à criança que vão além dos estudos. “Como o avô é, geralmente, mais tolerante que os pais, essa relação transmite maior paciência para os netos; e essa paciência gera respeito. Por isso, Paulo Freire definiu a amorosidade como fator importante na educação. Outro ponto essencial da conversa é a maturidade intelectual do avô, que vê as coisas de forma diferente, agregando valor às descobertas dos netos”, explica.

A tradição oral permite que a criança amplie a socialização dentro da escola. “Ela aprende a conversar dentro de casa. Não fica ali se distraindo apenas com a tecnologia. Consequentemente, leva isso para a sala de aula. Os educadores percebem claramente quando uma criança tem uma educação familiar, porque ela enfrenta as dificuldades com naturalidade. Os avós contribuem muito para esse processo”, completa Ivan Russeff.

Por Luana Costa / Blog Educação