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30 de setembro de 2013

Eles foram longe... sem sair de casa.


Os 5359 estudantes brasileiros matriculados em cursos superiores a distância no início dos anos 2000 sofreram. Ninguém sabia muito bem o que era aquilo - nem mesmo as instituições que começavam a explorar a nova modalidade de graduação, para a qual muitos círculos acadêmicos torciam o nariz. Para essas rodas, não passava de um "supletivo de smoking", ainda que o MEC chancelasse o diploma. A acidez contra o canudo conquistado online, quase sem sair de casa, tinha sua razão de ser; a maioria dos cursos estava mesmo à margem da excelência. Muito mudou nesta última década, a começar pela ordem de grandeza: a turma que faz a universidade a distância se multiplicou por - isso mesmo - 170 vezes. De cada seis jovens no país, um tenta hoje o diploma online. O contingente já beira 1 milhão de pessoas. A boa notícia é que não são mais apenas cursos de segunda linha que circulam na rede (apesar de esses ainda estarem lá). A internet se abriu para um universo do mais alto nível, desbravando a trilha da qualidade para muita gente que nem imaginava mais na condição de estudante.

A trajetória dos brasileiros [...] já foi impactada pela graduação a distância. Alguns desses sobrenomes são estreantes no ensino superior - os pais interromperam o ciclo escolar bem antes disso. Para outros que já têm diploma, mas nem se lembravam mais de como era estudar, a internet se apresentou como uma chance de voltar a aprender e até mudar de rumo. Um terceiro grupo aproveita a entrada de instituições prestigiadas no circuito para lapidar o currículo com novas especializações, um carimbo para, quem sabe, alçar voos de maior ambição. Ainda que pese toda essa diversidade, os últimos dados sobre o típico estudante da rede mostra que o perfil está mudando e é cada vez mais semelhante ao dos que se graduam no modo tradicional: a maioria são jovens e vivem em cidades onde o que não falta são prédios universitários, segundo um levantamento da consultoria Hoper. A rede foi a forma que eles encontraram de acomodar os estudos onde não cabia mais nada. "Tinha certo receio de fazer o MBA online, mas era isso ou nada. Foi isso, e funcionou", diz a paulista Lilia Figueiredo, 30 anos, entre os que seguram o diploma (em papel mesmo) da Fundação Getulio Vargas.

É verdade que os cursos de menos prestígio e qualidade ainda predominam. Nos últimos anos, eles se pulverizaram por pequenos polos em todo o país, enquanto as universidades de renome ainda hesitavam em se aventurar por terreno tradicionalmente tão malvisto no Brasil. Para se ter uma ideia, a Universidade de São Paulo enfrentou até protestos de alunos enfurecidos contra os cursos "de segunda classe"; alegavam que manchariam a reputação local (hoje a USP oferece MBAs a distância). Transpor o ensino de qualidade para a internet não é trivial. Mas, com mais de 70% dos jovens brasileiros fora da universidade, a chance de investir relativamente pouco para expandir e já algum conhecimento acumulado sobre a experiência online, as melhores instituições demonstram disposição para tentar. "É consenso entre as boas faculdades que não dá mais para ficar de fora", resume Licinio Motta, diretor da pós-graduação da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Bom para os alunos.

Há alguns balizadores da qualidade na rede. O principal é a frequência do contato - seja ele em chats, fóruns ou ao vivo - com o professor. Enquanto nos cursos de segunda linha eles despejam a matéria na internet e desaparecem, nos de bom nível estão a postos para videoconferências e encontros com hora marcada. Aliás, as aulas destes cursos, dadas em tempo real, fazem as palestras gravadas parecer coisa da Idade da Pedra. Também certas instalações (de tijolos) são imprescindíveis. Já pensou cursar Química ou Biologia (Medicina ainda não tem) sem pisar num laboratório?

O desempenho dos alunos surpreende: segundo o MEC, as notas dos que aprendem na rede já chegam a superar ligeiramente as dos que frequentam classes in loco. "A autonomia exigida em um curso a distância força o aluno a ganhar foco e eficiência", observa o especialista em tecnologias educacionais João Mattar. Diante de uma oferta relativamente nova - até 1996, não havia sequer legislação para essas graduações no Brasil -, as empresas ainda não distinguem bem as diferenças de qualidade e costumam estreitar a peneira para quem tem tais diplomas. A julgar pela experiência dos países mais ricos da OCDE - onde as melhores universidades estão há tempos no jogo e um terço dos universitários estuda a distância -, isso muda à medida que o mercado vai amadurecendo. Para a turma que só precisou sair de casa para receber o diploma, as mudanças já começaram.



Fonte:
Veículo: VEJA 
Data: 02/10/2013
Editorial: Educação 
Jornalista(s): Nathália Butti e Helena Borges 
Página: 112